Relembra o passado – Este persegue-te;
Não esqueças o presente – Vives nele;
Define o futuro – Este encontra-se á tua frente.
Prepara-te.
Abre a porta e entra,
Coloca o assento à tua medida.
Prepara os espelhos para ver o passado, o presente e o futuro,
Coloca a chave na ignição e roda-a.
Põe o cinto de segurança e certifica-te que os teus passageiros se encontram confortáveis.
Mete o pé na embraiagem e no travão auxiliar,
Destrava o travão de serviço e mete a mudança na 1ª.
Tira o pé do travão e passa para o acelerador.
Acelera com precaução.
Inicia a tua viagem.
I
A vida começa com uma escolha e quem é capaz de a fazer só pode significar algo: É um ser autónomo!
Como posso justificar o que acabei de afirmar? Utilizando palavras simples, para que todos os leitores entendam, basta utilizar o eufemismo. Comecemos primeiro pelo significado desta maravilhosa palavra em questão. Autonomia, vem do grego antigo que significa “aquele que estabelece suas próprias leis”, claro que temos que ver este significado como uma metáfora, sendo assim temos que levar a vida de forma independente, ou seja, seguindo as nossas próprias escolhas.
Agora, para começar esta jornada a que chamamos vida, é necessário entrar no carro e fazer-nos à estrada. Seguimos inicialmente por um caminho reto, cheio de areia, pedrinhas, buracos e poças de lama, pois assim como apanhamos sol também apanhamos chuva. Seguindo por este caminho podemos encontrar vários tipos de paisagens, rios e montanhas, alguns sinais pelo caminho, pois na vida é necessário seguir as leis tentando sempre não quebrá-las, e metros à frente encontramos pessoas simples, excêntricas, boas, malvadas, ricas, pobres, sombrias e sonhadoras que se encontram com um braço esticado e o outro com um papelão a pedir boleia.
A viagem é longa, cansativa e solitária. Creio que não haverá nenhum problema em transformar este pequeno carro num autocarro e apanhar quem necessita e busca uma viagem fora do comum.
II
Numa “correria” para chegar ao fim da estrada, para descobrir o que nos espera logo ali à frente, vamos descobrindo o que cada conhecido tem a mostrar e a contar, vamos decidindo qual o melhor e mais rápido caminho a tomar, quando e se iremos parar para fazer uma pausa, se devemos ou não ir mudando de condutor.
Com tantas decisões a tomar e tantas pessoas a dar as suas opiniões, é necessário parar este veículo para analisar o que cada um tem a dizer e para poder recuperar e renovar as energias.
O que no fundo nos levou a fazer esta longa e complicada viagem? Aquele sentimento peculiar que todos têm. A curiosidade. Na vida existem tantas coisas a aprender que, hoje em dia, posso dizer que ninguém vive sem a sua curiosidade. Mas a verdade é que, embora esta coragem de seguir em direção ao desconhecido seja considerado um ato de loucura, a vida não seria interessante. Então somos todos indiferentes ao medo, decidimos, cada um por si o que quer e para onde quer ir, e tentamos por fim satisfazer essa agoniante curiosidade que nos consome.
Já que estamos em modo pensativo, pensemos então na vida como um puzzle, pois esta é uma boa metáfora para explicar como este processo da vida funciona. Repara, num puzzle por muito bem que as peças estejam montadas, vês sempre as ranhuras e, de vez em quando, uma peça ou outra que não encaixa na perfeição.
Por muito perfeita que seja a peça, nunca encontras outra igual, o que encontras é uma pequena imperfeição nela. Cada corte, cada linha, cada contorno é sempre diferente e imperfeito, mas encaixa sempre no amigo do lado.
Assim como na humanidade, somos todos perfeitamente imperfeitos mas encontramos sempre alguém que encaixa bem na nossa vida. Mas por muito bem que fique encaixada, haverá sempre uma discussão, uma rachadura.
Montando as peças, cautelosa e cuidadosamente, montamos uma vida imperfeitamente perfeita, encontramos peças diferentes e outras totalmente parecidas e, por fim, encontramos um lugar onde ficar, onde cabemos imperfeitamente bem.
Ao criar a nossa vida, criamos uma imagem perfeitamente bela, com algumas ranhuras. Dizem que aprendemos com os erros e esses permanecem na nossa vida como uma cicatriz, curada mas, perfeita. Como a rachadura, ficando ali na imagem a ser montada, imperfeitamente, olhando depois do esquema montado, fica ali perfeitamente bem.
Montamos a nossa vida como montamos um puzzle, com ajuda, com tempo e com paciência. Olhamos com raiva quando não encontramos uma peça ou onde ela encaixa, mas no fim, quando está tudo perfeitamente montado, com as ranhuras à mostra, ficamos orgulhosamente satisfeitos.
Assim, por mera analogia, transformamos a vida não só numa viagem de carro como também num puzzle a montar, entendes ao que tal nos remete?
III
Vivemos num mundo cheio de escolhas. Pondo isto como se fosse uma selva então diria que é uma luta pela sobrevivência. Não contra os outros, mas sim connosco. Luta esta que lutamos contra o nosso orgulho, a nossa ganância, o nosso rancor, as nossas dúvidas e decisões.
Sabendo então que estamos a ser testados, é a nossa escolha ou se queremos ganhar esta luta sendo alguém autónomo ou se simplesmente escolhemos desistir e dar-nos por vencidos.
Sendo assim, pode salientar-se, que saber tomar as suas próprias decisões, quer boas ou má, e saber remediar o erro que cometemos ou levantarmo-nos da queda que demos devido à opção que demos, significa que conduzimos a nossa vida de forma autónoma.
Então, quer estejamos a montar um puzzle ou a conduzir um autocarro cheio de gente ao longo deste percurso, basta mantermos em mente que a opinião dos outros é importante mas só nós é que podemos tomar as escolhas para o nosso futuro, pois se errarmos com essa escolha, iremos encontrar uma mão à nossa frente para ajudar-nos a levantar.
“A cada instante temos a liberdade de escolher, e toda a escolha determina o sentido de nossas vidas.”
Olivia Hoblitzelles
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