sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Algo sobre mim

Palavrar drogas

Assim como Bernardo Soares gosta de palavrar, eu também gosto.

Em geral sou uma pessoa que passa horas a palavrar, e digo: “Quando começo, nunca mais me calo!”, como é possível parar de palavrar, quando há tanto que dizer?

Para mim as palavras são drogas, andam de mão em mão, nunca as deixamos em paz, nascem só para nos drogar e, depois criam pequenos textos, prosas ou poesias, que tomam conta de nós e fazem o que querem. Somos pequenas marionetas nas mãos delas, somos viciados naquela droga que nunca acaba, mas ela acaba sempre connosco.

Somos uns drogados, já estamos tão viciados que jamais ninguém, ou nada, nos conseguirá fazer com que deixemos esta droga, que dá assas à nossa imaginação e cria algo belo.

No fim, todos os drogados têm uma história para contar ou para ler, triste ou feliz, que outros viciados fizeram, com orgulho de ser quem são, com orgulho das suas pequenas drogas.

Em geral, sou uma pessoa que gosta de palavrar e, todos os dias fico a palavrar drogas.

Vontade e Desejo de Fazer

“Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.”



Nesta vida, temos muito que fazer, muito que criar, muito que imaginar, muito em que pensar; em fim, temos sempre muito que fazer.

Muitas vezes, nesses tantos que temos que fazer, começamos a desejar, a sonhar, porque não queremos ter trabalho a fazer algo, apenas já o queremos feito. Começamos sempre com dificuldade, às vezes torna-se fácil, outras já não, mas aquele desejo de se ter, de se concretizar o tal fazer, empurra-nos para a frente e, às vezes, já quando estamos tão cansados, o desejo passa-nos à frente e a vontade de parar apunhala-nos as costas.

Meditar, pensar, é o que nos resta já a meio caminho.

Parar? Para quem quer. Descansar? Só depois da morte. Vontade? Todos a têm, vontade de começar, vontade de parar, vontade de meditar, de pensar no que devemos fazer, porque no mundo, à muito que viver, e o tempo é pouco, nós vamos fazendo sempre pouco de cada vez e deixamos o resto para os outros.

Ao longo da vida tudo corre tão rapidamente e nós com a pressa deixamos sempre tudo pela metade, mas a vontade e o desejo, esses nunca deixamos.

Poema

Pego numa caneta,
Linhas rectas e curvas vão sendo desenhadas.
Loucos sentimentos transbordam
Do meu peito para a minha mão.
O tic tac do relógio ecoa
Dentro da minha cabeça.
À medida que o sol cai
A lua salta para o céu que,
Lentamente, se enche de estrelas.
As horas correm.
As pequenas linhas formam letras,
As letras formam palavras,
As palavras criam pequenas frases
E, estas avançam directamente para a última linha.
Pouso a mão,
A caneta dela me cai,
Largo um longo suspiro,
Finalmente acabei.

Imagem

Aquela Curiosidade

Ser-se indiferente.
Penso que foi isso que me ensinaram, mas não o consigo ser.
Na vida existem tantas coisas a aprender que, hoje em dia, posso dizer que não vivo sem a minha curiosidade. Há quem diga que não passo de uma maluca, mas sem loucura a vida não seria tao interessante.

Neste caso, não se resume à coragem, ou à falta dela, mas sim ao querer experimentar. Mas isso não é razão para os problemas.

Pensemos da seguinte forma: se nos apetecer, por simples curiosidade, dar um tiro a alguém ou até matar, certamente em tribunal não podemos dizer que foi um ato de curiosidade, aliás, poder até podemos mas não iria adiantar de nada pois iríamos para a cadeia.

Por isso, sejamos indiferentes e deixemos, antes, que a curiosidade tome conta do lápis e do papel.

Blog de Moda

Gostam de Moda? Precisas de dicas de maquilhagem? Iolanda Policarpo, criou um blog com a intenção de vos mostrar tudo sobre moda e estilo. Sigam-na: Richiocas - Iolanda Policarpo

Vão adorar!!!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Instagram

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A vida em mim

Aquele silêncio ruidoso impossível de calar.
A gota frágil que cai,
Que bate fortemente partindo, quase, a janela,
Soando como uma bateria.
A preguiça que nos segura na cama,
E a responsabilidade que nos obriga a levantar dela.
Os dedos que tocam e roçam gentilmente no meu corpo,
Mas que me agarram com força,
Segurando-me,
Protegendo-me do mundo.
A tua boca na minha,
Deixando novas sensações.
Respeito.
Amor.
Desrespeito.
Ódio.
A melodia que caminha ao nosso lado
E preenche a nossa cabeça.
Loucuras da noite,
Sorrisos criados com os amigos.
Lágrimas que escorrem incontroláveis
Por motivos indecisos.
Todos comem da mesma comida chamada de vida,
Todos bebem do mesmo copo a mágoa e a felicidade daqueles que amam.
O tempo passa e apanha todos.
A memória retém o necessário
Para que possamos aprender com os nossos erros,
Para sermos felizes.
Essa é a vida que todos vivem.
Essa é a nossa história.
Isto somos nós.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

TARF - Teatro Amador de Ribeira de Frades



 TARF - Teatro Amador Ribeira de Frades, Coimbra, Revista a Portuguesa, Fados Coimbra, Rainha Santa

 Uma Revista, não à Portuguesa, mas à Ribeirense, que traz para o palco pequenos episódios da vida quotidiana entremeados com números musicais e canções dos novos e dos velhos tempos. Como qualquer Revista que se preze, os "sketches" também vão sendo atualizados à medida que a população de Ribeira de Frades e arredores vai levando a vida...


Fundado a 15 de agosto de 1978 por um grupo de Ribeirenses com o intuito de preencher uma lacuna que consideravam importante na área da cultura local: proporcionar teatro à população da Freguesia e, se possível, levá-lo a outros pontos do país. A 12 de fevereiro de 1988, constituiu-se formalmente como Associação, tendo como objetivo dinamizar a promover a formação cultural e recreativa no âmbito do Teatro Amador. Desde essa altura, já realizou vários espetáculos de drama, comédia, teatro de revista e teatro de rua e apresentou-se em Arganil, Anadia, Cantanhede, Famalicão, Maiorca, Mira, Oliveira do Hospital, Galizes, Lagos da Beira, entre outros.
 
 
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA Conceção e direção:  Lídia Gil, Álvaro Gramacho, António Albuquerque, Fernando Gramacho, Maria João Sangalhos, Rita Barreira, Sofia Barreira, São Caroca, Teresa Corino e José Malhão, Ândria Nunes, Filipa Martinho, Isabel Roque.
 
APOIO TECNICO: Hugo Malhão
MUSICOS: Zé Bernardo, Daniel Veiga, Alvaro Gramacho

Contacto: 939 338 289 ou 968 835 671







Mikey Bolts

LOVE LOVE LOVE

Fun, Crazier, Genial




domingo, 7 de fevereiro de 2016

Carnaval 2016

                                                              #Sisters #Devil #Angel


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Music


Because my life is Rock but also Jazz








O Captain! My Captain!


1
O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
    But O heart! heart! heart!        
      O the bleeding drops of red,
        Where on the deck my Captain lies,
          Fallen cold and dead.
 
2
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;  
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
    Here Captain! dear father!
      This arm beneath your head;
        It is some dream that on the deck,  
          You’ve fallen cold and dead.
 
3
My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;  
    Exult, O shores, and ring, O bells!
      But I, with mournful tread,
        Walk the deck my Captain lies,
          Fallen cold and dead.  

Walt Whitman (1819–1892)

Tu

Eu sempre te percebi,

Embora nem sempre certo.

E não me digas que o estavas,

Eu posso não ter vivido no teu tempo

Mas senti, percebi tudo o que fazias.

Todos te aceitaram, e acima de tudo

Tivemos que sofrer por ti!

Eu sei tudo, mas tudo o que fizeste

Tantas pessoas presas e tudo culpa tua!

Não me mandes calar, eu faço tudo o que quiseres

Menos calar-me.

Eu disse, todos te toleravam

Se cá estivesses eu fazia o mesmo,

Tinha que o aceitar e tentar perceber

Embora não concordássemos.

Não basta pedires desculpa,

Tinhas de fazer muito mais do que isso

Tu que nunca toleras-te ninguém!

E eu já disse

Se estivesses cá, eu queria justiça.

Eu não te conheço, nem tu a mim

Mas sei que tu és o choro de uma criança,

E o grito do teu povo. 

Aquela História

Sento-me num banco de jardim, abro um livro e começo a ler. A história que o livro conta está a passar-se na rua ao lado, ouço os gritos e olho. Porque ela não se cala? Quero muito ler este livro, então ignoro.

O livro fala de uma rapariga que era esfaqueada numa ruela, as pessoas passavam e não faziam nada. Será que não a viam? Porque
não faziam nada?

Seria mais fácil concentrar-me no livro se aquela rapariga da rua parasse de gritar. Continuando a história, as pessoas pareciam estar indiferentes ao que acontecia com a pobre rapariga, eles viam o seu sofrimento, a sua dor, ela estava quase a…
Fecho o livro, a história é triste. Porque as pessoas ignoram o que se está a passar? Porque não fazem nada? Passam pelas pessoas que estão a sofrer e não lhe estendem a mão. Nós somos pessoas tão egoístas, só pensamos em nós próprios, que o nosso “eu” se sinta bem e confortável. Essas pessoas são insignificantes para mim, elas me dão desprezo porque simplesmente só se importam
com elas e com mais ninguém. Como aquela rapariga que ainda grita naquela rua, parece que não vê as pessoas. Não consegui acabar de ler, não consigo pensar só por causa daquela gritaria.

Hoje em dia, não há respeito, não há sentimentos pelos outros, não há ajuda.

Seria bom que isto tivesse um fim.

Futuro Sombrio

 Já pensou em parar, olhar em volta e analisar a situação em que se encontra? Eu já. E o que eu vi foi tão assustador que pensei que estava a ter um pesadelo, mas nunca acordei dele.

E aqui estou eu, nesta pequena e horrível vida da qual não posso fugir e permaneço por muito tempo, vendo-me a ser afastada pelas pessoas. E porquê? Porque sou diferente, porque já pertenci a este mundo, porque já fiz parte das pessoas. Sim todos já me conheceram, mas foi noutros tempos.

Entretanto o mundo continuou a mudar e as pessoas começaram-se a esquecer de mim. Devido a viver afastada dessas pessoas, pude ver como o mundo corre, aliás, ele já perdeu toda a sua energia, envelheceu, agora só anda bem devagarinho, quase a ponto de parar.

Neste velho e pequeno mundo, cheio de julgamentos, o dinheiro passou a valer mais do que o amor, e a liberdade pela qual os nossos antepassados tanto lutaram não passa de uma pequena ilusão. Podem ter conseguido que lhes tirassem as algemas, mas o povo ainda continua enjaulado.

Este mundo está quase nas profundezas do inferno e as pessoas continuam com as suas vidinhas a julgar e a culpar-me porque tive uma opinião diferente. Quem sou eu? Claro, eu ainda não me tinha apresentado. Eu já tive muitos nomes, agora não passo de uma pequena sombra do que já fui. Uma sombra da esperança que o povo já teve e que começou a desistir por achar que não era suficiente.

Agora as modernices, a robótica, a genética, a mecânica…, tudo isso me passou à frente e, por se acharem melhores, foram ultrapassados pela ganância e devido a isso, as pessoas tornaram-se animais selvagens, não só à busca de comida, não só à procura de água, mas sim em guerra pelo dinheiro.

A dignidade e o orgulho foram deitados fora, agora as pessoas não passam de animais irracionais, que a única coisa que lhes interessa é o dinheiro para poder viver, para poder criar, para poder ensinar.

É uma luta pela sobrevivência.

E como fui tudo isto acontecer? Perguntam aí os senhores leitores. Bem, tudo isto começou devido a uma simples, e agora famosa, palavra: Crise.

Poema

Pego numa caneta,
Linhas rectas e curvas vão sendo desenhadas.
Loucos sentimentos transbordam
Do meu peito para a minha mão.
O tic tac do relógio ecoa
Dentro da minha cabeça.
À medida que o sol cai
A lua salta para o céu que,
Lentamente, se enche de estrelas.
As horas correm.
As pequenas linhas formam letras,
As letras formam palavras,
As palavras criam pequenas frases
E, estas avançam directamente para a última linha.
Pouso a mão,
A caneta dela me cai,
Largo um longo suspiro,
Finalmente acabei.

Indecisão Incontrolável

Se a Morte te batesse à porta, tu fugias ou fazias um acordo com ela?!
Nunca tive essas oportunidades pois quando ela apareceu eu dei-lhe um tiro e, agora, aqui estou, a olhar para o chão a ver se ela acorda.
Penso que a imortalidade fica bem a qualquer um, menos à Morte, pois esta ainda não se levantou.
Por um lado estou feliz, quer dizer, se ela me bateu à porta é porque eu seria a próxima vitima não é?! Mas por outro lado… Eu matei uma pessoa, quer dizer… um Deus mitológico?!? Mas pondo isso de lado, quem é que agora fará o seu trabalho? Bem, sendo que fui eu que a coloquei inconsciente acho que é minha responsabilidade. Mas o que é que eu faço? Pego na foice e saio por aí a matar quem me apetece?!
Talvez haja uma lista. Aparece lá um nome e só desaparece depois de a pessoa estar morta.
Mas se for assim, o meu nome ainda está na lista.
Eu não me vou matar, mas se não o fizer as outras pessoas que supostamente deviam morrer não morrem… vendo assim, se eu me matar o nome delas aparece, mas como a Morte está inconsciente, não fará nada e eu, sua responsável também não poderei fazer nada porque me matei.
Isto realmente é uma grande confusão. Por hora, vou às compras e depois logo vejo o que irei fazer. Afinal, a Morte não se irá levantar por um bom momento.

Ignição da Vida - Condução Autónoma

Relembra o passado – Este persegue-te;
Não esqueças o presente – Vives nele;
Define o futuro – Este encontra-se á tua frente.



Prepara-te.
Abre a porta e entra,
Coloca o assento à tua medida.
Prepara os espelhos para ver o passado, o presente e o futuro,
Coloca a chave na ignição e roda-a.
Põe o cinto de segurança e certifica-te que os teus passageiros se encontram confortáveis.
Mete o pé na embraiagem e no travão auxiliar,
Destrava o travão de serviço e mete a mudança na 1ª.
Tira o pé do travão e passa para o acelerador.
Acelera com precaução.
Inicia a tua viagem.


I
A vida começa com uma escolha e quem é capaz de a fazer só pode significar algo: É um ser autónomo!
Como posso justificar o que acabei de afirmar? Utilizando palavras simples, para que todos os leitores entendam, basta utilizar o eufemismo. Comecemos primeiro pelo significado desta maravilhosa palavra em questão. Autonomia, vem do grego antigo que significa “aquele que estabelece suas próprias leis”, claro que temos que ver este significado como uma metáfora, sendo assim temos que levar a vida de forma independente, ou seja, seguindo as nossas próprias escolhas.
Agora, para começar esta jornada a que chamamos vida, é necessário entrar no carro e fazer-nos à estrada. Seguimos inicialmente por um caminho reto, cheio de areia, pedrinhas, buracos e poças de lama, pois assim como apanhamos sol também apanhamos chuva. Seguindo por este caminho podemos encontrar vários tipos de paisagens, rios e montanhas, alguns sinais pelo caminho, pois na vida é necessário seguir as leis tentando sempre não quebrá-las, e metros à frente encontramos pessoas simples, excêntricas, boas, malvadas, ricas, pobres, sombrias e sonhadoras que se encontram com um braço esticado e o outro com um papelão a pedir boleia.
A viagem é longa, cansativa e solitária. Creio que não haverá nenhum problema em transformar este pequeno carro num autocarro e apanhar quem necessita e busca uma viagem fora do comum.


II
Numa “correria” para chegar ao fim da estrada, para descobrir o que nos espera logo ali à frente, vamos descobrindo o que cada conhecido tem a mostrar e a contar, vamos decidindo qual o melhor e mais rápido caminho a tomar, quando e se iremos parar para fazer uma pausa, se devemos ou não ir mudando de condutor.
Com tantas decisões a tomar e tantas pessoas a dar as suas opiniões, é necessário parar este veículo para analisar o que cada um tem a dizer e para poder recuperar e renovar as energias.
O que no fundo nos levou a fazer esta longa e complicada viagem? Aquele sentimento peculiar que todos têm. A curiosidade. Na vida existem tantas coisas a aprender que, hoje em dia, posso dizer que ninguém vive sem a sua curiosidade. Mas a verdade é que, embora esta coragem de seguir em direção ao desconhecido seja considerado um ato de loucura, a vida não seria interessante. Então somos todos indiferentes ao medo, decidimos, cada um por si o que quer e para onde quer ir, e tentamos por fim satisfazer essa agoniante curiosidade que nos consome.
Já que estamos em modo pensativo, pensemos então na vida como um puzzle, pois esta é uma boa metáfora para explicar como este processo da vida funciona. Repara, num puzzle por muito bem que as peças estejam montadas, vês sempre as ranhuras e, de vez em quando, uma peça ou outra que não encaixa na perfeição.
Por muito perfeita que seja a peça, nunca encontras outra igual, o que encontras é uma pequena imperfeição nela. Cada corte, cada linha, cada contorno é sempre diferente e imperfeito, mas encaixa sempre no amigo do lado.
Assim como na humanidade, somos todos perfeitamente imperfeitos mas encontramos sempre alguém que encaixa bem na nossa vida. Mas por muito bem que fique encaixada, haverá sempre uma discussão, uma rachadura.

Montando as peças, cautelosa e cuidadosamente, montamos uma vida imperfeitamente perfeita, encontramos peças diferentes e outras totalmente parecidas e, por fim, encontramos um lugar onde ficar, onde cabemos imperfeitamente bem.
Ao criar a nossa vida, criamos uma imagem perfeitamente bela, com algumas ranhuras. Dizem que aprendemos com os erros e esses permanecem na nossa vida como uma cicatriz, curada mas, perfeita. Como a rachadura, ficando ali na imagem a ser montada, imperfeitamente, olhando depois do esquema montado, fica ali perfeitamente bem.
Montamos a nossa vida como montamos um puzzle, com ajuda, com tempo e com paciência. Olhamos com raiva quando não encontramos uma peça ou onde ela encaixa, mas no fim, quando está tudo perfeitamente montado, com as ranhuras à mostra, ficamos orgulhosamente satisfeitos.
Assim, por mera analogia, transformamos a vida não só numa viagem de carro como também num puzzle a montar, entendes ao que tal nos remete?


III
Vivemos num mundo cheio de escolhas. Pondo isto como se fosse uma selva então diria que é uma luta pela sobrevivência. Não contra os outros, mas sim connosco. Luta esta que lutamos contra o nosso orgulho, a nossa ganância, o nosso rancor, as nossas dúvidas e decisões.
Sabendo então que estamos a ser testados, é a nossa escolha ou se queremos ganhar esta luta sendo alguém autónomo ou se simplesmente escolhemos desistir e dar-nos por vencidos.
Sendo assim, pode salientar-se, que saber tomar as suas próprias decisões, quer boas ou má, e saber remediar o erro que cometemos ou levantarmo-nos da queda que demos devido à opção que demos, significa que conduzimos a nossa vida de forma autónoma.
Então, quer estejamos a montar um puzzle ou a conduzir um autocarro cheio de gente ao longo deste percurso, basta mantermos em mente que a opinião dos outros é importante mas só nós é que podemos tomar as escolhas para o nosso futuro, pois se errarmos com essa escolha, iremos encontrar uma mão à nossa frente para ajudar-nos a levantar.



“A cada instante temos a liberdade de escolher, e toda a escolha determina o sentido de nossas vidas.”
Olivia Hoblitzelles

Instinto Animal

 Nunca pensei que fosse capaz.

Mas fiz. Ele realmente falava demais, não tinha outra alternativa a não ser calá-lo.

A única coisa que estava ao meu lado era uma faca, sei que não deveria fazê-lo, mas era a única maneira.
Enquanto me sentava na mesa a saborear a fatia de bolo, ele olhava-me la do chão. O sangue escorria pela garganta, palavras não saiam da boca, apenas sons se ouviam.

Além de vir a minha casa só para chatear, ainda tinha coragem para sujar a minha cozinha com o seu sangue imundo. Ao menos ele calou-se.

Não é que eu não gostasse dele, apenas não o via como algo essencial na minha vida. Como uma aranha. A gente vê e mata! Não ficamos a olhar para ela, a analisá-la. Olhamos, sentimos nojo, e por fim matamos, simplesmente assim. Cruelmente a sangue frio. E não sentimos nada, afinal era só uma entre muitas existentes.

Como as pessoas. A morte de uma não fará diferença perante a presença daqueles que estão no topo.

Vejamos a vida como uma hierarquia, os mais fortes estão no topo e alimentam-se dos mais fracos. Afinal essa é a lei da selva, a lei da sobrevivência.

Não é como se eu não tivesse escolha. Podia simplesmente mandá-lo calar, mas não me apeteceu. O que havia de fazer? Ignorar o meu instinto animal e deixá-lo vivo? Não. Há que mostrar quem está no topo, se não eles aproveitar-se-ão da situação.
Não sou culpada. Afinal, nem sequer cometi um crime, apenas segui o meu instinto. E nada do que possam dizer ou pensar irá mudar a minha filosofia de vida.

Nós estamos na selva, e o leão é que é o rei. A hiena não passa de um aperitivo.

Mancha

Uma lágrima escorre
Traçando caminhos pelo meu rosto.
Como uma gota de água que cai,
Que escorre meiga e suavemente
Pelo meu corpo.
Manchando-o.
Sujando-o.
Magoando-o.
Como uma masoquista,
Livremente deixo aquela sádica gota
Encher a minha cabeça de pensamentos.
A tristeza consome-me.
O amor desgasta-me.
A saudade enlouquece-me.
Porque me incomodo tanto?
Ó louco pensamento de poeta, que sem querer,
Sacia a minha mente.
Sacia a minha sede.
Sacia o meu ser.
Uma lágrima escorre
Traçando caminhos pelo meu rosto.
Deixando uma mancha no meu corpo
E uma história por contar…